É um homem
nonada...
uma palavra numa solução alfanúmerica
nada. E o seu nome é :
desacorda- trabalha- reza - Ora.
Agita-se em seu vazio
cansado do seu nada que inquire para si
è vida ou vácuo este vivente?
Náufragos de nós,fazemos destroços
úmida madeira à deriva.
Dizemos: Desditos desterrados.
Dizemos:— Findos. Finitos.
Destemperados, desditos
consumidosno sal do silêncio.
Murmuramos: desditos —
como quem invoca sombras.
E em névoa:
a palavra se esvai
Desafinando no sopro do destino,
marcados por signos malignos.
(AMPULHETA}
Deito, procuro nuvens.
Gasto horas, fatigado e excitado
observação passiva e um devaneio
e esta história
só
Gastei horas pensando
olhos vagando, vagando
um deserto
areia de ideias.
E elas percorrem a encher um hemisfério depois outro.
Estou com sede! "sede"
de clareza ou alívio.
Ando
-Andoando...
Olho como o louco que vive pela rua
Direto
no espelho, sem sair do quarto.
Esta
vil ampulheta
cheia de areia de Rivotril e Lexotan.
Aqui divide-se meu eu.
Ando com a carta do enforcado
dentro do bolso.
E minhas guias no pescoço.
Com laços e nós,
em fuga por aí
sem saber fugir de si.
Destemido diante
da sorte
Enternecido com o
acaso
De quem sou eu
neste momento.
E penso, penso, o peso de escolher o tempo tão incerto.
A esperança molha
os pés nas águas do desalento.
Os acordados não
querem dormir,
os que dormem
sonham com as guerras, então, não podem sonhar.
Afinal a Guerra é uma besta que se levanta
e prenha de toda humanidade
quer parir seus filhos.
Tudo em vão, ao nascer, viver, crescer morrerão.
Tal uns ou outros.
Sem terem nomes instituídos
nem fantasmas serão.
Nós inconscientes construímos nossos exílios
Para imaginar mais segurança.
Construídos conscientemente,e,
vivemos em presídios particulares
A infinda desconexão do eu.
E dói ser a multidão sem faces
log in - on - curtir sem emoção.
Somos tantos bilhões:
Somos ninguém então.
Exibindo brinquedos e desvarios
cambaleantes digressões.
O ser humano - aleatório, randômico
sendo um numérico nada.
Fizemos de todos nós destroços
no infinito jardim de arvores de logaritmo.
Um Vale de Silício
De repente queima, ilumina, uma dor que desconhece razão
Assola, calcina.
Desconstrói, liquidifica tudo o que é :
Ego, Super Narciso, self .
A liberdade descansa aprisionada
Em vidas alheias de alheios
em telas que intimamente mostram tudo...
Tudo relacionado em nada que importe
- viver sobre si.
Percebo que em seus dias mais escuros
Preso diante de uma luz plana
paisagem sem sol:
Tem nuvem em plataformas que carregam nuvens,
Torres sem marfim em um deserto
guardando torres de luzes
onde luzem-luzem
sem vida e estáticos: nanopirilampos .
Labirintos onde se guardam tesouros
que ninguém pode ver
Por mais que tentemos
por mais que mintamos para si mesmos,
não podem ser tocados
porque abrigam terríveis segredos.
Este tempolugar:
Não é poético, não tem musa, nem Ariadne
ou o Minotauro.
estamos lá onde não há um lugar
e nem podemos ser nós nessa existência linear.
Passa rápido demais o tempo para viver a vida
para viver de verdade,
e já percebi que falei muito de mim.
Tenho as mão vazias,
Os braços fracos.
E chamam a mim
aqueles que veem o que nem está lá.
Estou maldisposto
com as palavras.Exausto.
Então, percebo ser chamado de algo ilusório
ou imaginário. Que se acredita sem provas.
Tal qual a fé.