4 de fevereiro de 2026

 É um homem

nonada...

uma palavra numa solução alfanúmerica

nada. E o seu nome é :

desacorda- trabalha- reza - Ora.

Agita-se em seu vazio

cansado do seu nada que inquire para si

è vida ou vácuo este vivente? 


Náufragos de nós,fazemos destroços

 úmida madeira à deriva.

 Dizemos: Desditos desterrados.

Dizemos:— Findos. Finitos. 

Destemperados, desditos

consumidos

no sal do silêncio.

Murmuramos: desditos —

como quem invoca sombras.

E em névoa:
a palavra se esvai 

Desafinando no sopro do destino,
marcados por signos malignos. 

 O lápis singra pela página

As palavras formam ondas

entre o pensar e o escrever

As ideias - mar revolto.

São como espumas o rastro dessa travessia

que emerge, mas, não se fixa 

absorvidas ao morrer na praia. 

13 de janeiro de 2026

 

(AMPULHETA}

Deito, procuro nuvens.

Gasto horas, fatigado e excitado

observação passiva e um devaneio

e esta história

Gastei horas pensando

olhos vagando, vagando

 um deserto areia de ideias.

E elas percorrem a encher um hemisfério depois outro.

Estou com sede!  "sede" de clareza ou alívio.

Ando -Andoando...

 Olho como o louco que vive pela rua

Direto no espelho, sem sair do quarto.

Esta vil ampulheta 

 cheia de areia de Rivotril e Lexotan.

31 de outubro de 2025

 Ao escrever procure 

Ao viver escreva.

Quando amar 

delete as razões

abra um arquivo único

crie digitais e viva sem senhas

E ame como prisão, como fuga,

bug, 

Viva uma falha, defeito ou erro 

em software ou hardware.

Quando amar 

delete as razões.

Essa voz habita o entre-lugar da existência.

Com ciência 

da própria finitude e contradição.

 Em dias assim

Nos quais o ser é inseparável de si mesmo

Eu vendo minha parte.

Eu negocio meus ossos e o meu pó.

Para alguém plantar um jardim suspenso entre o espiritual e o terreno. 



 

Evadir



Aqui divide-se meu eu.

Ando com a carta do enforcado 

dentro do bolso. 

E minhas guias no pescoço. 


Com laços e nós,

em fuga por aí

sem saber fugir de si.  


11 de julho de 2025

 

Destemido diante da sorte

Enternecido com o acaso

De quem sou eu neste momento.


E penso, penso, o peso de escolher o tempo tão incerto.

 Transito pelo passado transpassado pelo espírito que sonda o precipício.

 

A esperança molha os pés nas águas do desalento.

Os acordados não querem dormir,

os que dormem sonham com as guerras, então, não podem sonhar.

Afinal a Guerra é uma besta que se levanta

e prenha de toda humanidade 

quer parir seus filhos.

Tudo em vão, ao nascer, viver, crescer morrerão. 

Tal uns ou outros.

Sem terem nomes instituídos

nem fantasmas serão.

 


10 de maio de 2024

Binary Search Trees

      Binary Search Trees
                 ∞


Nós inconscientes construímos nossos exílios 

Para imaginar mais segurança. 


Construídos conscientemente,e,

vivemos em presídios particulares

A infinda desconexão do eu.

  

E dói ser a multidão sem faces 

log in - on - curtir sem emoção.

Somos tantos bilhões:

Somos ninguém então.


Exibindo brinquedos e desvarios 

cambaleantes digressões.

O ser humano - aleatório, randômico  

sendo um numérico nada. 

Fizemos de todos nós destroços 

no infinito jardim de arvores de logaritmo.


31 de janeiro de 2024

Um Vale de Silício

De repente queima, ilumina, uma dor que desconhece razão

Assola, calcina. 

Desconstrói, liquidifica tudo o que é :      

Ego, Super Narciso, self .

A liberdade descansa aprisionada 

Em vidas alheias de alheios

em telas que intimamente mostram tudo...


Tudo relacionado em nada que importe 

- viver sobre si.


    

25 de janeiro de 2024



Percebo que em seus dias mais escuros 

Preso diante de uma luz plana 

paisagem sem sol:

Tem nuvem em plataformas que carregam nuvens,

Torres sem marfim em um deserto 

guardando torres de luzes 

onde luzem-luzem 

sem vida e estáticos: nanopirilampos .  


Labirintos onde se guardam tesouros 

que ninguém pode ver

 Por mais que tentemos

por mais que mintamos para si mesmos, 

não podem ser tocados

porque abrigam terríveis segredos.  


Este tempolugar: 

Não é poético, não tem musa, nem Ariadne 

ou o Minotauro.

estamos lá onde não há um lugar 

e nem podemos ser nós nessa existência linear. 

4 de dezembro de 2023

Passa rápido demais o tempo para viver a vida

para viver de verdade,

e já percebi que falei muito de mim.

Tenho as mão vazias,

Os braços fracos.

E chamam a mim 

aqueles que veem o que nem está lá.

Estou maldisposto 

com as palavras.Exausto.

Então, percebo ser chamado de algo ilusório

ou imaginário. Que se acredita sem provas.

Tal qual a fé.